domingo, 30 de dezembro de 2007

Final de ano.


Final de ano é isso aí que se vê. Confraternizações, amigo oculto, churrascos com a família, shopping e mercados cheios.. etc. Pela sensação, mesmo ilusória de que algo acaba e começa outro, o clima é bom, é de festa. Na verdade tudo "novo de novo". Continuar é bom também, quando se continua, diferente, fazendo a mesma coisa. Estava na praia com minha filha ontem e comentávamos o clima desses dias, muita gente transitando, turistas por toda a parte, muita bebida, pra recepcionar o novo ano. E vale comemorar, festejar a continuidade. Mas nem tudo é só festa, parece que o mundo pára, parece que não existem doentes, idosos querendo dormir. Não, tem que fazer muito barulho, afinal o ano está terminando. Afff...

Todo serviço nessa época, para os mortais, é precário. Delegacia, emergência de hospital, tudo à meia boca. Portanto, comemoremos, mas prudência nunca é demais. É festa, mas a cidade não está preparada pra atender gente que justo na época de festa, resolveu ter uma dor, se machucar ou coisa parecida.

Ontem à noite, eu precisei ir à emergência de hospital. O médico, coitado, parecia o banana de pijama com aquela roupa.Isso foi um garotinho que estava à espera que comentou. Eu ouvi e ri concordando. E pior, estava com uma cara. Acho que ele não gosta desse pessoal que passa mal nesses dias. Atendimento frio, pena ele esquecer que lida com gente. Que um pouco de bom humor vai muito bem em qualquer situação. Eu acho pelo menos, vai ver estou errada.

Graças a Deus não precisei ficar em observação, essas coisas. Só um remédio e procurar um nefrologista logo. Mas só em 2008, a próxima quarta, a primeira do ano, porque é época de festa, todos precisam comemorar, inclusive os médicos.

Feliz 2008 pra todos!!!!!! Para os que estão na festa e os que por algum motivo, estão fora dela também. A festa é no coração!!!

"Eu criança"




Dia desses quando entrei na casa da minha mãe, estava lá em cima da cama dela umas fotos minhas de quando eu era criança. Não sei se estava preparada para me rever assim. Poxa, minha mãe podia ter me preparado para entrar, às vezes não é brincadeira se ver assim, sem um preparo rsrs.

Eu criança me chamou atenção, fui logo sentando e mexendo nas fotos. Minha mãe disse que estava arrumando umas coisas e aproveitou para me dar uma olhada. Foi bacana aquele momento, eu e minha mãe, na companhia da " eu criança". Conversamos sobre aqueles tempos, a vida, a semelhança do meu filho comigo criança. Essas conversas são boas... muito.
Voltei pra casa com aquela "eu criança" na cabeça.

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

being boring - pet shop boys

Being Boring (tradução)
Pet Shop Boys
Composição: Tennant/Lowe

Estando Entediados

Deparei com umas fotos antigas escondidas
E convites para festa adolescentes
“vista-se de branco”, dizia um deles, com citações
Da esposa de alguém, um escritor famoso
Nos anos 20
Quando se é jovem, encontra-se inspiração
Em qualquer um que um dia tenha partido
E aberto uma porta que se fechava
Ela disse: “nunca nos sentimos entediados”

Pois nunca estávamos entediados
Tínhamos tempo demais para decidirmos a nosso favor
E nunca estávamos entediados
Vestíamos nosso melhor e brigávamos e pensamentos consertam situações
E nunca nos refreávamos ou nos preocupávamos que
O tempo chegaria ao fim

Quando fui embora, parti da estação
Com uma mochila e um pouco de trepidação
Alguém disse: \"se eu não fosse cuidadoso
Não sobraria nada para mim e nada com que me importar
Nos anos 70”
Mas me acomodei e olhando adiante
Meus sapatos estavam no ar e eu tinha me descolado
Eu tinha disparado através de uma porta que se fechava
Nunca me encontraria me sentindo entediado

Pois nunca estávamos entediados
Tínhamos tempo demais para decidirmos a nosso favor
E nunca estávamos entediados
Vestíamos nosso melhor e brigávamos e pensamentos consertam situações
E nunca nos refreávamos ou nos preocupávamos que
O tempo chegaria ao fim
Ficávamos sempre esperando que, ao olhar para trás
Pudéssemos sempre contar com um amigo

Agora eu sento junto a rostos diferentes
Em quartos alugados e lugares estrangeiros
Todas as pessoas que eu beijava
Algumas estão aqui e algumas estão ausentes
Nos anos 90
Nunca sonhei que eu chegaria a ser
A criatura que sempre pretendi ser
Mas eu pensava, apesar dos sonhos
Que você estaria sentado em algum lugar aqui comigo

Pois nunca estávamos entediados
Tínhamos tempo demais para decidirmos a nosso favor
E nunca estávamos entediados
Vestíamos nosso melhor e brigávamos e pensamentos consertam situações
E nunca nos refreávamos ou nos preocupávamos que
O tempo chegaria ao fim
Ficávamos sempre esperando que, ao olhar para trás
Pudéssemos sempre contar com um amigo

E nunca estávamos entediados
Nunca estávamos entediados
Pois nunca estávamos entediados
Nunca estávamos entediados


sexta-feira, 5 de outubro de 2007

"A pior vontade de viver" por Martha Medeiros.




"A pior vontade de viver "



"Ela é complexa, angustiante, subjetiva e intensa. Ela, a pior vontade de viver. A que não está disposta a negociar com a vontade dos outros.Todos são tão compreensivos, aceitam tão bem suas escolhas, torcem por tudo o que você faz, não é mesmo? Desde que você faça o que está no script. Que siga o que foi determinado no roteiro, aquele que foi escrito sabe-se lá por quem e homologado no instante mesmo em que você nasceu. Mas e quem não quiser seguir este script?

Clarice Lispector, que entendia de subversões emocionais, morreu há 30 anos e recebeu uma justa homenagem na última terça-feira, no Teatro Renascença, numa performance dirigida pelo incansável Luciano Alabarse e para o qual fui convidada, mas não pude participar. Em função deste evento, estive pensando muito em Clarice e lembrei de como ela descreveu, certa vez, o sentimento de um personagem: "Seu coração enchera-se com a pior vontade de viver". Ela é complexa, angustiante, subjetiva e intensa. Ela, a pior vontade de viver. A que não está disposta a negociar com a vontade dos outros. No entanto, esta que foi chamada de a "pior" vontade pode ser também uma vontade genuína e inocente. É a vontade da criança que ainda levamos dentro, entranhada. É o desejo de açúcar, de traquinagem, de fazer algo escondido, de quebrar algumas regras, de imitar os adultos. A "pior" vontade é curiosa, quer observar pelo buraco da fechadura e depois, mais ousadamente, abrir a porta e entrar no quarto proibido. A "pior" vontade é a de não se enraizar, não assinar contrato de exclusividade, não firmar compromisso, não render-se às vontades fixas, apenas às vontades momentâneas, porque as fixas correm o risco de deixar de serem vontade para se transformarem em vaidade - como se sabe, há sempre aqueles que se envaidecem da própria persistência. A "pior" vontade não quer ganhar medalha de honra ao mérito, não quer posar para fotografias, não quer completar bodas de ouro nem ser jubilada. A "pior" vontade não faz a menor questão de ser percebida, ela quer ser realizada. É quando você sabe que não deveria, mas vai. Sabe que não será fácil, mas enfrenta. Sabe que tomarão como agressão, mas arrisca. Anote: apenas sentem-se agredidos aqueles que te invejam. A vontade oficial, a vontade santinha, a que não causa incômodo é a outra, a aprovada pela sociedade, a que não leva em conta o que vai no seu íntimo, e sim a opinião pública. É a vontade que todos nós, de certa forma, temos de mostrar para os outros que somos felizes, sem saber que para conseguir isso é preciso, antes, ter a "pior" vontade, aquela que faz você descobrir que ser feliz é ter consciência do efêmero, é saber-se capaz de agarrar o instante, é lidar bem com o que não é definitivo - ou seja, tudo. É com esta "pior" vontade de viver que você atrai os outros, que seu magnetismo cresce, que seu rosto rejuvenesce e que você fica mais interessante.

É uma pena que nem todos tenham a sorte de deixar vir à tona esta que Clarice Lispector chamou de a pior vontade de viver, que, secretamente, é a melhor."


Martha Medeiros.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Vanessa da Mata - Ainda Bem

Ainda bem
Que você vive comigo
Porque se não
Como seria esta vida?
Sei lá, sei lá
Nos dias frios em que nós estamos juntos
Nos abraçamos sob o nosso conforto de amar, de amar

Se há dores tudo fica mais fácil
Seu rosto silencia e faz parar
As flores que me manda são fato
Do nosso cuidado e entrega
Meus beijos sem os seus não dariam
Os dias chegariam sem paixão
Meu corpo sem o seu uma parte
Seria o acaso e não sorte

Ainda bem
Que você vive comigo
Porque se não
Como seria esta vida?
Sei lá, sei lá
Se há dores tudo fica mais fácil
Seu rosto silencia e faz parar
As flores que me manda são fato
Do nosso cuidado e entrega
Meus beijos sem os seus não dariam
Os dias chegariam sem paixão
Meu corpo sem o seu uma parte
Seria o acaso e não sorte

Neste mundo de tantos anos
entre tantos outros
Que sorte a nossa hein?
Entre tantas paixões
Esse encontro
Nós dois, esse amor.

Entre tantos outros
Entre tantos anos
Que sorte a nossa hein?
Entre tantas paixões
Esse encontro
Nós dois, esse amor.

Entre tantas paixões
Este encontro
Nós dois, esse amor.



quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Música...




Meu filho adolescente, ai meu Deus!!! Fará aniversário no próximo mês e como sempre faz nesta época, fica me rodeando com suas idéias mirabolantes para ganhar um presente.Cada ano um sonho diferente, neste, uma guitarra. Pois é, além de adolescente ele é músico.Parece que vive desconectado da realidade e vez ou outra, por questões de sobrevivência, tenho que fazê-lo cair na real.

Ah, além de adolescente e músico, é um falador. Claro que usa essa lábia para me levar no bico, e por vezes me leva...

Já estou quase convencida que ele precisa mesmo de uma guitarra. E depois de ouvir muita conversa fiada, fui falar com professor dele sobre uma guitarra que estava à venda. Meu filho estava radiante com a possibilidade.Por isso, fui até o professor sim, mas desconfiada, com jeito de mãe. Se mãe tem um jeito eu não sei... mas me esforço pra ter um.

Cheguei, conheci o professor, gente boa, boa conversa, brinquinho na orelha, simpático. Mas, e a guitarra?

_ É esta aqui.

Olhei com um desânimo para aquela guitarra velha. Pensei, não acredito que ele quer esta porcaria.
Ele, que não é bobo nem nada, não tinha dito deste detalhe importante antes. Além de contar com a minha educação, deixou para o especialista, o professor, me explicar que apesar da aparência, era um excelente instrumento etc.etc. Eu já estava com vontade de comer o fígado dele, afinal estava cansada e tinha mais o que fazer. Mães andam muito ocupadas. Quando ele pegou a guitarra, tocou lindamente, e disse mais lindo ainda.

- Mãe não olhe para a aparência, olhe para este instrumento como um músico olha, com o ouvido, ( é um filósofo...rs) o importante é a melodia que sai dela.. É a melhor... tem que sentir.

Não sei, mas aquele som me tocou. Era o som da felicidade.

Este, tem que ter ouvidos sensíveis para ouvir...e sentir bonito.

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Setembro


Setembro, mês adorável. Daqui a pouco a primavera. O florescer estará por toda parte. Na paisagem... nos rostos...
Na vida.
Deixe florescer em você suas idéias, seus ideais, o amor.
Permita seu Eu florescer e faça desta, a melhor das primaveras.


Simone.

sábado, 8 de setembro de 2007

Manoel De Barros...


Meu encontro com a leitura de Manoel de Barros foi com um livro infatil, O Menino que Carregava Água na Peneira, linda leitura, me apaixonei de primeira e depois disso de vez em quando, namoro os seu escritos...


A poesia está guardada nas palavras - é tudo que eu sei.
Meu fado é o de não saber quase tudo.
Sobre o nada eu tenho profundidades.
Não tenho conexões com a realidade.
Poderoso para mim não é aquele que descobre ouro.
Para mim poderoso é aquele que descobre as insignificâncias(do mundo e as nossas).
Por essa pequena sentença me elogiaram de imbecil.
Fiquei emocionado e chorei.
Sou fraco para elogios.

Bom início... Mãos dadas




Mãos dadas


Não serei o poeta de um mundo caduco.

Também não cantarei o mundo futuro.

Estou preso à vida e olho meus companheiros.

Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.

Entre eles, considero a enorme realidade.

O presente é tão grande, não nos afastemos.

Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.


Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,

não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,

não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,

não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.

O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,

a vida presente.
Carlos Drummomd de Andrade.